segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Eu falo de mulheres e destinos

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... " somos tão diferentes das mulheres antigas ?
O que mudou em nós ?
Tudo será tão positivo como nos dizem, e foi outrora tão ruim como parece ?

Na Idade Média havia tecelãs inscritas em sindicatos; em todas as épocas, mulheres cultas escreviam, debatiam, influenciavam seu meio. Embora sempre em quantidade bem menor do que os homens, não eram exceções tão raras quanto nos parecem. Onde foi parar a história dessas que administravam propriedades e bens quando os maridos iam à guerra, transmitiam a tradição oral da sua gente, eram depositárias de lendas, praticavam medicina e criavam os futuros guerreiros do seu povo ?

Rainhas ou mulheres de senhores feudais participaram de campanhas bélicas ao lado da marido, ou em seu lugar quando ele precisava combater em outra parte; séculos atrás, na Europa, mulheres não se dedicavam apenas às intrigas da corte, mas davam curso públicos de retórica, falavam latim, conheciam teologia e filosofia. As poucas hoje comentadas só aparecem como esposas de seus maridos famosos.
... Joana d´Arc teve o nome perpetuado por si mesma: foi preciso que morresse queimada numa fogueira inquisitorial ...

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Nas últimas décadas quebraram-se padrões estabelecidos durante longo tempo. Ainda não se firmaram outros que já possam servir de referência; tudo é muito recente, estamos mergulhados no olho do furacão.
Não temos certeza das oportunidades que nos são oferecidas em cada esquina. 
Estamos fazendo bom uso delas ou ainda nos assustam demais ? 
E esse medo: é infundado ou é razoável ?

O que sabemos é que é preciso " ser feliz ". Banalizamos a felicidade como ausência de problemas, um estado de idiotia e irresponsabilidade, uma incessante animação obtida por recursos mágicos ...
... sentir-se bem na própria pele, ter uma ideia razoável do que se está fazendo de si: estamos conseguindo isso ? Talvez tenhamos esquecido no baú do tempo coisas a recuperar, mais preciosas do que a mais ousada inovação. 

Permanecemos na adolescência, não trocamos a busca da felicidade pela procura da verdade pessoal.

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VIVER ... a não ser sob escravidão, que ainda se pratica de muitas formas ... é optar, assinar embaixo, e pagar todos os preços ... alguns, bastante altos.

- Lya Luft - 
(trecho do livro O Rio Do Meio)