domingo, 28 de setembro de 2014

Não podemos perder o hábito de vagar pelo deserto, onde ninguém se interessa em andar. Pois dos nossos pensamentos solitários é que surgem as ideias que nos impulsionam para caminhos onde poucos conseguem chegar. Ora bolas, se você faz sempre o mesmo percurso, verá sempre a mesma paisagem. 
Não podemos temer o caminho das sombras. Temos de saber passear pela luz e pela escuridão e preparar nossos olhos para que consigamos ver o que outros não enxergam e desviar das armadilhas que aprisionam os incautos. Se só soubermos caminhar no claro do dia, desaprendemos a ouvir os sons da noite e por consequência podemos deixar passar despercebidas as nuances que fazem de nossos pensamentos meandros para inspirações necessárias para a criação de um universo mais rico em detalhes de cores, de posições, de satisfações, de prazeres e riscos.
O que queremos afinal?
A doce e fácil igualdade do comum?
O pesado fardo de caminhar em direção a morte sem objetivo algum?
A quimera de uma existência previsível e facilmente neutralizada?
Não podemos perder o hábito de vagar pelos porões, de onde os pobres espíritos fogem deixando para trás rastros de dor, medo, pânico, pavor. Se não soubermos como lidar com nossos restos e com o que há de mais podre dentro de nossos corações, não saberemos discernir a bondade, a boa vontade e a afeição.
Se seguir a mesma fórmula obterá o mesmo resultado. Será apenas mais um.
Se criar uma nova maneira de fazer, então te destacarás daqueles que buscam algum alento em meio ao céu lotado de estrelas.
O que é preferível afinal?
A mera repetição do que já se faz repetido?
Ser apenas uma reprodução sem qualquer poder de autotransformação?
Não podemos renegar a vitória, nem o sucesso de nossas viagens além do que se imagina, sob a condição de não darmos valor aos nossos mais elegantes esforços.
A paciência é necessária para saber que o tempo trará a colheita que plantamos.
O que esperam os idiotam que nada cultivaram?
Esperam por limão? Por morangos? Por Melões?
Mas eles só plantam mamonas.
Não podemos esquecer o que nos trouxe até aqui.
E se o que nos ocorre, está correndo bem. Não há o que temer e nem o que se perguntar. Basta apenas que tenhamos a sensibilidade de seguirmos o caminho que nós escolhemos e não o que escolheram para todos.
Os fracos se vendem pelo primeiro chamado. Todos temos um preço, mas o nosso somos nós que avaliamos
Não somos todos. Fazemos parte do todo. Mas nós somos nós.
Assim seja.