sábado, 7 de março de 2015

Às vezes eu pego a Grande Mãe me espiando pela porta

...

Quantas vezes Ela me viu entretida entre sons e palavras ... e no mesmo instante prevendo um tornado prestes a tocar o chão ela grita ao meu anjo da Guarda:
- Corre e acode aqui ... pois, o bicho vai pegar !!!

Quantas vezes Ela tentou me falar ... mas a gritaria dentro de mim era tão forte que eu nem percebi que Ela estava ao meu lado.

Quantas vezes Ela segurou minhas mãos para que eu não desembainhasse minha espada.

Quantas vezes Ela tentou me silenciar ... e meu grito feriu pessoas inocentes.

Quantas vezes Ela sinalizou o caminho para que eu não me perdesse ... mas eu corria tanto que não prestei atenção às placas indicativas.

Quantas vezes Ela me pediu para caminhar mais um pouco e eu me achava muito fraca para fazê-lo ... sentando assim na beira da estrada com o calor escaldante do deserto minando minhas últimas forças.

Quantas vezes Ela secou minhas lágrimas ... mas eu nem percebi, pois achava que aquela dor era maior que o seu poder de cura.

Quantas vezes Ela velou meu sono ... não deixando meu espírito ir muito longe, correndo o risco de me perder no infinito.

Quantas vezes Ela riu das minhas fantasias infantis ... e ralhou comigo quando passei dos limites.

Quantas vezes Ela colocou palavras em meu coração que nunca foram ditas ... interrompendo assim a sequência dos acontecimentos.

Quantas vezes Ela desmanchou meu trabalho para que eu o fizesse melhor, pois sabia da minha capacidade ... mas por pirraça me recusei a fazê-lo novamente, amontoando assim trabalhos inacabados.

Quantas vezes Ela me esperou no portão, enquanto saía batendo a porta do meu coração dizendo que aquele não era o meu caminho.

Quantas vezes Ela me golpeou para que eu aprendesse a ser humilde.

Quantas vezes ela sufocou meu grito de medo para que eu não chamasse a atenção dos meus inimigos.

Quantas vezes ela ergueu muralhas enquanto eu lutava contra moinhos de vento ... deixando assim o inimigo real se aproximar do meu castelo.

Quantas vezes ela levantou o meu escudo mais alto amortecendo assim o golpe dos meus demônios interiores.

...

Às vezes eu pego Ela me espiando pela porta ...
... então ela me viu entretida em mim ... entre linhas, cores, sons e paz !!!
Eu olhei para Ela e sorri ... Ela suspirou e sorriu dizendo, pela segunda vez:
- Não perca sua virgindade ... você é muito importante para o meu filho !!!

E eu respondi:
- Eis-me aqui Ó Mãe ... que seja feita a Vossa vontade em mim !!!


...