sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Depois de passar a semana meditando sobre sonhos confusos e assustadores por assim dizer, hoje me deparei com um trecho do livro que estou lendo e assim pude compreender os mecanismos da minha psique ...

 ... " Quando a mulher percebe que foi presa, tanto no mundo interior quanto no exterior, ela mal consegue tolerar a situação. É um golpe na raiz de quem ela realmente é, e ela planeja, como seria sua obrigação, destruir a força predatória.
Enquanto isso, seu complexo predatório está furioso por ela ter aberto a porta proibida e começa a dar suas voltas, tentando bloquear todos os caminhos de fuga. Essa força destrutiva torna-se assassina e diz à mulher que ela violou o que havia de mais sagrado e por isso deve morrer.
 Quando aspectos opostos da psique de uma mulher atingem seu ponto de saturação, a mulher pode sentir um cansaço incrível pois sua libido está sendo sugada em duas direções. No entanto, mesmo uma mulher que esteja morta de cansaço com suas lutas infelizes, não importa quais sejam, muito embora ela esteja com a alma exausta, ela ainda assim precisa planejar sua fuga. Ela precisa se forçar a seguir adiante seja como for. Esse período crítico assemelha-se a ficar ao relento em temperatura abaixo de zero um dia e uma noite. Para sobreviver, não se pode ceder à fadiga. Ir dormir significa morte certa.
 Essa é a iniciação mais profunda, a iniciação de uma mulher nos sentidos instintivos corretos através dos quais o predador é identificado e banido. É esse o momento no qual a mulher cativa passa da condição de vítima para a condição de alguém com a mente afiada, os olhos astuciosos, a audição apurada. É essa a hora na qual um esforço quase sobre humano consegue impelir a psique exausta para realizar a última tarefa. As perguntas-chave continuam a ajudar, pois a chave continua a verter seu sangue sábio apesar de o predador proibir sua conscientização. " ...

- Clarissa Pinkola Estés -